Concordância Verbal

Fim do Curso!

CONCORDÂNCIA VERBAL

A regra principal, intuitiva, observada sempre com o sujeito simples, é que o verbo deve concordar em número e em pessoa com o sujeito.

Sujeito Composto: quando o sujeito for composto (mais de um núcleo) e estiver preposto ao verbo, o verbo deve estar no plural.

Entretanto, se o sujeito estiver posposto ao verbo, o verbo pode estar no singular, pois pode concordar com o núcleo do sujeito que estiver mais próximo dele.

  • A mãe e o filho chegaram ao teatro
  • Ao teatro, chegou a mãe e o filho 

► Núcleos sinônimos ou em gradação: podem atrair tanto o singular quanto o plural. Isso porque a semelhança dos sujeitos permite fazer entender que se trata de uma coisa só, podendo ser usado, por isto, o verbo no singular.

  • A angústia e a ansiedade não o ajudavam a se concentrar
  • A angústia e a ansiedade não o ajudava a se concentrar

► Sujeito formado de dois infinitivos com ideias semelhantes: se houver artigo auxiliando o sujeito, temos o verbo no plural. Se não, no singular. 

  • Sonhar e acreditar faz dele uma pessoa melhor
  • O sonhar e O acreditar fazem dele uma pessoa melhor

► Sujeito composto que esteja sendo resumido por um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém): verbo no singular.

  • Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o comoveu
  • O Marcelo, o José, o Léu... ninguém lembrou da gravação

► Núcleos do sujeito ligados por ou: nestes casos, pode-se ter ideia de exclusão de uma das alternativas propostas numa frase, e pode-se ter ideia de alternância entre as alternativas, sendo ambas válidas ao verbo. Nessa primeira situação teremos o verbo no singular. Se tivermos a alternância entre as idéias propostas, temos o verbo no plural. É mais fácil entender estas coisas com os exemplos:

  • Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (Exclusão. Somente um dos dois ganhará o prêmio)
  • A poluição sonora ou a poluição do ar são nocivas ao homem. (Alternância. Ambas são nocivas, não?)

► Sujeito composto formado por pessoas gramaticais diferentes:

  1. Eu (1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos tornaremos (1ª pessoa plural) amigos. – O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.
  2. Tu (2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos tornareis (2ª pessoa do plural) amigos. – O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.

Trata-se de regra a qual acabamos acertando sempre intuitivamente. Talvez não pareça pelo segundo exemplo dado, pois não usamos a segunda pessoa do plural usualmente. No primeiro exemplo, porém, parece-nos claro que não se diz “eu e ele se tornarão”, certo?

Núcleos do sujeito unidos por expressões como “não só...mas também”; “tanto...quanto”: em tais casos, usaremos o plural preferencialmente.

  • Tanto Erundina quanto Collor perderam as eleições municipais em São Paulo
  • Não só eu mas também minha irmã fizemos nossas lições

Sujeitos compostos ligados por com: em tal caso teremos o plural. Entretanto, se houver virgula separando os indivíduos, teremos o verbo no singular.

  • José com Maria consertaram a cerca
  • José, com Maria, consertou a cerca

► Substantivos coletivos: tratam-se de substantivos que definem um grupo, como um bando, por exemplo. O grupo, apesar de conter um plural de seres ou coisas, vem no singular: um grupo, e o verbo também atrai o singular. O verbo concorda sempre com o núcleo do sujeito, neste caso (bando/bandos).

  • A multidão gritou pelo rádio
  • A alcateia perseguiu os coelhos.

Quando temos um adjunto adnominal (aquele termo especial que serve para restringir o sujeito) na frase, entretanto, podemos também usar o plural!

  • Um bando de aves PARTIRAM em revoada (aqui, o verbo concorda com o adjunto adnominal –de aves-, que está no plural)
  • Um bando de aves PARTIU em revoada (aqui, o verbo concorda com o núcleo do sujeito –um bando-, que está no singular)

O mesmo ocorre com a maior parte/grande parte/maioria/etc, quando antepostos ao sujeito:

  • Grande parte dos torcedores compareceu à festa
  • Grande parte dos torcedores compareceram à festa

Entretanto, quando pospostos ao sujeito, obrigatoriamente será singular:

  • É de São Paulo que chega a maioria dos votos
  • Fez, grande parte das alunas, uma enorme bagunça.

► Nomes que só usam plural: pêsames e férias, por exemplo. Estes, sem artigo, atraem o verbo no singular.

  • Pêsames não ajuda muito
  • Férias restaura-me
  • Os pêsames não ajudam muito
  • As férias restauram-me

► Pronome relativo QUE:

  • Fui eu que sorri pra você
  • Fomos nós que sorrimos pra você

► Pronome relativo QUEM:

  • Fui eu quem sorriu pra você
  • Fui eu quem sorri pra você

► Mais de um/mais de dois/mais de...etc.: o verbo sempre vai concordar com o numeral das expressões.

  • Mais de um estudante faltou à aula
  • Mais de dois estudantes faltaram à aula

Se temos a expressão “mais de um” repetindo-se na frase, o verbo fica no plural.

  • Mais de um estudante e mais de um professor faltaram à aula

Se temos reciprocidade na ação, verbo no plural.

  • Mais de um rapaz agrediram-se.
  • Mais de dois prisioneiros ajudaram-se.

Cerca de/perto de: o verbo ficará no plural se usarmos um numeral que também atrai o plural.

  • Cerca de sessenta mil ingressos foram vendidos para o jogo do Cruzeiro.

► Alguns de nós/poucos de nós: esse caso atrai o verbo no plural.

  • Alguns de nós consideramos a situação arriscada
  • Alguns de nós consideraram a situação tranquila
  • Poucos de nós saíram antes da hora
  • Muitos de nós ficamos até o final

Entretanto, quando o “algum” se encontra no singular, por exemplo, puxamos o verbo para o singular também.

  • Algum de nós sabe onde encontrar o livro com certeza
  • Alguma daquelas pessoas faz dança de salão

► Números fracionários: o verbo concorda com o numeral também.

  • Um terço da herança coube ao filho mais velho
  • Dois quintos dos farmacêuticos errou a fórmula

► Sujeito oracional: caso em que o sujeito é uma oração. Acontece, às vezes, de uma oração inteira estar no lugar do sujeito da sentença. Trata-se da oração subordinada substantiva subjetiva, que tem a função de sujeito da ação, veja:

  • Ainda falta saírem cinco alunos (isso ainda falta: saírem cinco alunos ainda falta)
  • Pareceu-lhe que as visitas não foram tão boas (isso pareceu-lhe: que as visitas não foram tão boas pareceu-lhe)

► Sujeito indeterminado: é o sujeito que existe mas você não consegue determinar quem exatamente ele é. Veja que os verbos são transitivos indiretos. É justamente por isto que não se têm sujeitos definidos nas orações do exemplo.

Observe que, nos casos do item acima bem como nos casos do item abaixo, o fato de o verbo ser transitivo direto permite que se encontre o sujeito da ação na própria frase.

  • Confia-se em pessoas honestas.
  • Sabe-se de todos os seus problemas.

► Voz passiva: aqui, temos um verbo transitivo direto + “se”. Portanto, temos um sujeito que vem depois. O verbo concorda com o sujeito (plural ou singular).

  • Vende-se uma casa (Uma casa vende-se)
  • Vendem-se casas (Casas vendem-se)
  • Encontraram-se as pessoas perdidas (As pessoas perdidas encontrara-se)
  • Faça-se luz! (Luz se faça!)

► Ser: às vezes, este verbo concorda não com sujeito mas com seu predicado. Nesses casos, concordará com os numerais contidos nos predicativos do sujeito  

  • São dez pra uma
  • São dois km
  • Quem foram os artilheiros do campeonato

► É que: pode estar tal expressão no plural, claro. O verbo ser, entretanto, torna-se invariável em algumas circunstâncias... nestes casos, ele não enfatiza o sujeito ou o objeto direto.

  • Eles é que sempre chegam atrasados

Para reforçar melhor as variações possíveis deste verbo ser, tão particular, finalizemos nosso curso com alguns exemplos de sua colocação nas frases:

  • Hoje são 10 de Outubro de 1800
  • Hoje é 10 de Outubro de 1800 (este caso só é valido se considerarmos que a palavra dia está implícita na oração, e o verbo ser concorda com ela!! Veja: Hoje é dia 10 de Outubro...)
  • Vinte metros é uma distância muito curta
  • Oitenta reais é demais para este produto
  • Meu maior amor são meus cachorros
  • São minhas filhas queridas minha maior preocupação.