Denunciação da Lide
A denunciação da lide é uma forma de intervenção provocada em que o terceiro (denunciado), que mantém um vínculo de direito com a parte (denunciante), é chamado para litigar em conjunto com o denunciante, que contém contra o denunciado uma pretensão indenizatória, de reembolso, caso seja condenado. Com a finalidade de economia processual, a denunciação é como se fosse uma ação de regresso antecipada, para a eventualidade da sucumbência do denunciante.
A denunciação da lide é admissível, podendo ser promovida por qualquer uma das partes. Se for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida, não representa um problema, pois é possível que se faça uma ação de regresso autônoma. São duas as hipóteses em que é cabível a denunciação, previstas pelo artigo 125 do CPC:
- Ao alienante imediato, para garantia do direito de evicção do denunciante (inciso I)
- Direito regressivo de indenização (inciso II). Ex.: réu denunciar sua seguradora.
Se o denunciante for o autor, a citação do denunciado será requerida na exordial, e se for réu, na contestação.
No primeiro caso, (autor) o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial (art. 127, CPC).
A mais comum é a denunciação pelo réu, prevista pelo artigo 128 do CPC. O réu deverá fazer a denunciação da lide no prazo para contestar a ação, enquanto o denunciado possuirá um prazo de quinze dias para a resposta, podendo ocorrer três possibilidades:
- O denunciado contestar o pedido do autor e tornar-se litisconsorte do réu;
- Denunciado revel em relação à denunciação. Neste caso, o réu pode ou seguir com a ação principal normalmente, ou abrir a mão da defesa da ação principal, restringindo sua atenção à ação regressiva de modo a transferir ao denunciado a provável condenação, sem que essa atitude comprometa a garantia de regresso;
- Se o denunciado comparecer e confessar os fatos alegados pelo autor na petição inicial, poderá o denunciante prosseguir na defesa ou aderir a tal reconhecimento e apenas pedir a procedência da ação de regresso.
A sentença do processo avaliará tanto o pedido quanto a denunciação. Caso o denunciado seja vencido na ação principal, analisa-se a denunciação, mas se sair vencedor, a denunciação nem será analisada, o que não traz prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado (art. 129, CPC). No primeiro caso, se houver também a procedência da denunciação, será o réu condenado a ressarcir o autor e o denunciado a ressarcir o denunciante.
Ainda, inova o CPC ao permitir que autor possa requerer o cumprimento da sentença contra o denunciado, nos limites da condenação da ação na ação de regresso (art. 128, § ú.)
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As explicações são excelentes. Obrigado por esse grande trabalho de nos trazer explicações de um modo fácil de entender, sem perder a essência do conteúdo.
Bom dia .Gostaria de tirar um duvida, então é vedado a Denunciação da Lide nas relações de consumo como afirma no codigo do CDC. Essa questão não consigo assimiliar bem.
Olá, Denise. Essa vedação ocorre para que a demanda do consumidor não se prolongue indefinidamente no judiciário e a prestação demore a ser cumprida. Recomendo essa leitura: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2018/2018-05-20_06-52_A-denunciacao-da-lide-e-as-regras-de-protecao-do-consumidor.aspx
o que é uma ação de regresso?
Olá Gabriella, a ação de regresso é aquela pautada no direito de regresso. Este direito está no art. 934 do CC: "Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz." Ou seja, ela será cabível sempre que uma pessoa adimplir dívida ou dano em nome de terceiro. Exemplo: a seguradora que paga as despesas do acidente do segurado tem direito de regresso contra o causador do dano pelos valores gastos. Espero que tenha esclarecido, qualquer dúvida estamos à disposição. Abraços e bons estudos.